segunda-feira, 7 de junho de 2010

Musical III

(...)

Erra quem sonha com a paz
Mas sem a guerra
O céu existe pois existe a terra
Assim também nessa vida real
Não há o bem sem o mal.

Nem amor sem que uma hora
O ódio venha...


Roberta Sá.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Tempo, tempo, tempo, mano velho.



Sempre tive pressa. Quando pequena, se ganhava um tênis dormia de meia. Se fôssemos à praia na manhã seguinte, acordava bem cedo e ficava pronta, irritando os que queriam amanhecer com mais calma. De mim, falavam de uma precocidade e de ouvir falar que era precoce, fui me adiantando em tudo. Aprendi a ler e a escrever cedo, pulei etapas escolares, entrei cedo para a faculdade, comecei a trabalhar e a enfrentar os leões da vida adulta também cedo. Mas o tempo, para mim, era como se estivesse sempre esgotado. Eu corria porque não queria perder nada. E achava que as coisas que não acontecessem naquele instante perderiam a chance de acontecer. Pronto, já era. Assim fiz com que meus planos não fossem só planos, coisas vislumbradas, fiz com que fossem metas. E meta a gente tem prazo para cumprir.
Em parte, fiz um bom uso disso, acho. Mas também ganhei a sensação de ter envelhecido antes da hora. Acho que li o Desassossego de Bernardo Soares cedo demais. Era época de contos de fadas. E ouvi Piazzolla cedo demais também. Ele podia ter esperado um pouco para aparecer. E acho que quis demais coisas que podiam esperar. E meu querer é forte, atropela.

Hoje, querer calma é que tem me ocupado. Porque a vida exige da gente que a gente não corra tanto. A vida faz a gente tropeçar de vez em quando para não deixar a gente esquecer de que algumas coisas do caminho precisam ser consideradas. Que o caminho a gente faz ao andar, mas que precisa do chão, e não só dos pés.

(E eu contei, que comprei um all star vermelho, só pra ver se ando diferente?)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Conclusão:

Agora é hora de calar. Amanhã eu falo.

domingo, 30 de maio de 2010

Musical II

"Não deixe idéia de não ou talvez
Que talvez atrapalha..."

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sonho 01

Estava como em um filme cujo fim é conhecido (devo dizer que por aqui é bem comum e típico de mim sonhar com roteiros de filme). Morria de medo de uma certa multidão que vinha da rua, invadindo as casas, em busca de sei lá o que. Minha casa era a próxima, mas eu sabia o que tinha que fazer, já tinha visto o filme. Por um instante, deixei-me levar pelo medo e tentei me esconder. Escondida, lembrei-me de que era inútil. Eles me encontrariam. A casa, que era minha, não reconheci. Onde estaria? Mas o esconderijo, sei bem onde era: Cozinha de vovó, 1999, Santa Maria de Jetibá. (Naquela época, ir a Santa Maria era como tirar férias de mim. Porque lá eu achava que podia ser quem eu escolhesse ser. Lá eu era forasteira.)

Ai, que multidão que me invade.
Minha casa é a próxima.
Conheço esse filme.
Sei o que tenho que fazer.

E uma vontade de ser forasteira...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ditos não ditos.

Dizia que só há amor excessivo diante das maiores crises e que às vezes é preciso quase perder com uma certa freqüência para que não se queira perder nunca; que é absolutamente impossível saber (e, portanto, dizer) a medida exata do amor; que é impossível acertar a hora de dedicar-se exclusivamente e a hora de desviar o olhar para que se seja visto; que ainda que se tenha certeza de que há amor, que pode não durar. Ainda que tudo isso seja um fato, ainda assim são necessárias muitas palavras para preencher o vazio estalante e aflito das grandes esperas.
Ainda que haja a solidão (e sempre haverá), talvez não seja preciso padecer do gozo da incompreensão. Talvez seja possível compartilhar também as sensações indescritíveis. Talvez não dizer tudo e, ainda assim, contentar-se. Assim como há palavras que nos marcam a carne e nos fazem acreditar que estarão lá para sempre, dizendo quem somos, é possível mudar uma sílaba de lugar e ter um novo sentido para o dito. É possível que digam apenas quem fomos.
Sim, é possível viver mais sem descrever tanto a vida.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Question


All Is Fair In Love and War. (?)