domingo, 19 de dezembro de 2010

Musical VI

José,

"Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber

(Só não se perca ao entrar

No meu infinito particular...)"

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Diário de bordo I

Há sertão por toda parte. No mar abundante, infinito e azul há sertão também (como poderia ser diferente?). O sertão é dentro da gente, não é? Fecho os olhos para esquecer. Ouço de leve as ondas batendo e um vento tenta levar com ele o que eu trouxe de longe. Generoso, traz para mim cheiros e fragmentos que não são meus. Vejo uma criança correndo em direção ao mar. As crianças são felizes porque ainda não sabem. As crianças ainda não têm sertão.
(...)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Go away II (too)

Judith,

Você me põe a pensar (e a falar) quando tudo o que eu quero é ir à praia. Minhas viagens, aliás, me tiram um pouco aquela velha mania de permanecer. Você não sabe, mas antes a idéia de partir era insuportável por aqui, porque enquanto estivesse fora o mundo aconteceria sem mim. A cidade, as ruas, as pessoas. Agora o anonimato me chama. Cidades, ruas e pessoas novas. O querer dói, não dói, Judith? Você sabe. Mas é querendo que a gente vai.

Eu achava que tudo permanecia e você me ensinou a ir embora. Deixa eu te ensinar a ficar um pouco, Judith, porque nem tudo é de deixar para trás. Algumas coisas (e cidades e pessoas) a gente pode levar com a gente para onde for. Lembra de Dindí? Dindí sempre me diz que gostaria de poder voltar de vez em quando. Eu levo Dindí comigo porque enquanto estava aqui era parte de mim. E levo João comigo também, porque João merece ficar mais um pouquinho. E levo José, porque José eu inventei todinho.

Se você quiser, Judith, eu levo você também.
Mas eu já não fico mais.
Um beijo,
Maria.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sabedora

O (O)outro é muito silencioso.
Eu gosto é de palavra.
Talk to me, please.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quarta de cinzas

"E a fantasia vai voltar pro barracão..."

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

De amores

Querida,

Você me perguntou um dia quando é que a gente sabe que está preparada para voltar a amar. E naquela época eu não estava muito em posição de responder. Hoje eu começo a supor que a gente está preparada para voltar a amar quando, de repente, não se pergunta mais se está preparada.

Um dia o telefone toca e quando você se dá conta está morrendo de palpitações.
E no dia seguinte não está mais.
E no dia seguinte quase morre de palpitações.
E no dia seguinte...

"O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria e, de repente,
Uma vontade de chorar..."

domingo, 14 de novembro de 2010

Em resumo:


"Afinal, deste dia fica o que de ontem ficou

e ficará de amanhã:
a ânsia insaciável e inúmera
de ser sempre o mesmo
e outro."

Bernardo Soares